04 Novembro 2009

As tres peneiras


Olavo foi transferido de projeto. Logo no primeiro dia, para fazer média com o novo chefe, saiu-se com esta:

– Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito do Silva. Disseram que ele ...

Nem chegou a terminar a frase, Juliano, o chefe, aparteou:

– Espere um pouco, Olavo. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?

– Peneiras? Que peneiras, Chefe?

– A primeira, Olavo, é a da
VERDADE. Você tem certeza de que esse fato é absolutamente verdadeiro?

– Não. Não tenho, não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram Mas eu acho que...

E, novamente, Olavo é interrompido pelo chefe:

– Então sua história já vazou a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira que é a da
BONDADE. O que você vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?

– Claro que não! Deus me livre, Chefe! – diz Olavo, assustado.

– Então, – continua o chefe – sua história vazou a segunda peneira. Vamos ver a terceira peneira, que é a da
NECESSIDADE. Você acha mesmo necessário me contar esse fato ou mesmo passá-lo adiante?

– Não chefe. Passando pelo crivo dessas peneiras, vi que não sobrou nada do que eu iria contar - fala Olavo, surpreendido.

– Pois é Olavo. Já pensou como as pessoas seriam mais felizes se todos usassem essas peneiras ? – diz o chefe sorrindo e continua: – Da próxima vez em que surgir um boato por ai, submeta-o ao crivo dessas três peneiras:
Verdade - Bondade - Necessidade, antes de obedecer ao impulso de passa-lo adiante, porque:

PESSOAS INTELIGENTES FALAM SOBRE IDÉIAS

PESSOAS COMUNS FALAM SOBRE COISAS

PESSOAS MEDÍOCRES FALAM SOBRE PESSOAS

= = = = = = = = = = = = = =

"Vocês já sabem, meus queridos irmãos: cada um seja pronto para ouvir, mas lento para falar, e lento para ficar com raiva, porque a raiva do homem não produz a justiça que Deus quer. Se alguém pensa que é religioso e não sabe controlar a língua está enganando a si mesmo, e sua religião não vale nada."

(Carta de S. Tiago cap. 1, vers. 19 - 20 e 26.)
Veja também: cap. 3, vers. 1 ao 12.

19 Outubro 2009

Direito da Crianca


Direito Da Criança
Compositores:
Marcos Pagé / Marileide Félix / Paulo Góes

Criança tem direito a se alimentar
Criança tem direito a se educar
Saúde é preciso, precisa cuidar
E todas as crianças têm direito a um lar

Criança tem direito pra se respeitar
Não pode no papel esse direito ficar
E o mundo inteiro tem que entender
Que o direito da criança é pra valer

Futuro do mundo
Não pode sofrer nenhum tipo de agressão
Criança amada
Só tem carinho e amor no coração

Refrão:
Já é a hora de mudar
Com os direitos da criança
Não é pra se brincar

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Fontes pesquisadas, em 19/10/2009:

Letra da música:
http://vagalume.uol.com.br/mara-maravilha/direito-da-crianca.html

Vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=m5LiVbvrRGs


Reproduzidos aqui apenas para finalidades pedagógicas, uso pessoal, não comercial e intransferível.

25 Setembro 2009

Semente do Amanha




SEMENTE DO AMANHÃ
COMPOSITOR: GONZAGA JR.
CANTOR: ERASMO CARLOS

1 – Ontem o menino que brincava me falou
2 – Que hoje é semente do amanhã
3 – Para não ter medo que esse tempo vai passar
4 – Não se desespere não, nem pare de sonhar
5 – Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
6 – Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar

7 – Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
8 – Nós podemos tudo
9 – Nós podemos mais
10 – Vamos lá fazer o que será.

28 Abril 2009

O Presente

Um agricultor pobre tinha um pedacinho de terra e umas vaquinhas. Ele morava ao lado de um agricultor muito rico que tinha muitas terras e muitas cabeças de gado.

Certo dia, uma vaca que pertencia ao agricultor pobre arrebentou a cerca e entrou na plantação do agricultor rico. Este ficou indignado e queria que o pequeno proprietário pagasse tudo aquilo que a vaca comeu. O pequeno agricultor disse que não tinha condições, mas que pagaria depois da safra.

No domingo, enquanto o pequeno agricultor foi a missa, o grande resolveu presenteá-lo. Ao chegar em casa, admirado com tal gesto, o pequeno agricultor abriu a caixa. Surpresa! Encontrou estrume de vaca... O cheiro era desagradável e irritante.

Este fato não poderia ficar sem troco. O pequeno agricultor enviou também um presente ao latifundiário. Este, com receio, abriu a caixa e encontrou um bonito queijo. Logo pensou: "Deve estar envenenado". Chamou delicadamente suo empregada e disse:

- Hoje você vai comer o primeiro pedaço.
O homem rico logo guardou o queijo e, no café do dia seguinte, pediu afetuosamente à empregada:

- Como passou a noite, não sentiu dores?

- Não.

Então o homem rico começou a comer o queijo, que era excelente, porém, quando estava no terceiro pedaço encontrou um plástico e um papel enrolado. Logo pensou: "Aqui está a maldade". Abriu o plástico, desenrolou o papel com muito medo e encontrou uma frase que dizia: "Cada um dá o que tem".


Para ler e guardar: "Cada um dá o que tem".


Fonte: "Histórias que Ensinam", Editora Mundo e Missão (http://www.missaojovem.com.br/), página 104.

08 Março 2009

Campanha da Fraternidade 2009 - "A paz é fruto da justiça" - Fraternidade e Segurança Pública

Campanha da Fraternidade 2009 - "A paz é fruto da justiça" - Fraternidade e Segurança Pública

"Onde pões tua confiança?
Segurança, quem te traz?
É o amor que tudo alcança;
Só a justiça gera a paz!"

Refrão do Hino da Campanha e elenco de algumas palavras chaves, lista a ser completada e praticada por todos.

Cartaz e Música: CNBB - http://www.cnbb.org.br/
Edição: João César - http://profjoao.zip.net/

06 Março 2009

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2009

Hino da CF 2009 Cantos da Quaresma ano B - CF 2009

1. Ó povo meu, chegou a mim o teu lamento,
Conheço o medo e a insegurança em que estás.
Eu venho a ti, sou tua força e teu alento.
Vou te mostrar caminho novo para a paz

Refr.: Onde pões tua confiança?
Segurança, quem te traz?
É o amor que tudo alcança;
Só a justiça gera a paz!

2.Quando o direito habitar a tua casa,
Quando a justiça se sentar à tua mesa,
A segurança há de brincar em tuas praças;
Enfim, a paz demonstrará sua beleza

3. A segurança é vida plena para todos:
Trabalho digno, moradia, educação;
É ter saúde e os direitos respeitados;
É construir fraternidade, é ser irmão.

4. É vão punir sem superar desigualdades;
É ilusão só exigir sem antes dar.
Só na justiça encontrarás tranquilidade;
Não-violência é o jeito novo de lutar.

5. É como teia de aranha, a segurança (Jó 8,14)
De quem confia só nas armas, no poder.
Não é violência, não são grades ou vingança
Que irão fazer paz e justiça florescer.

6. Eu desposei-te no direito e na justiça;
Com grande amor e com ternura te escolhi. (Os 2,18)
Como aceitar o desrespeito, a injustiça,
A intolerância e o desamor que vêm de ti?!

01 Março 2009

História: O Menino e a Tartaruga - Música: Vida

Narração da história, de domínio popular, na qual o sábio avô ensina ao neto que não conseguirá nada enquanto bate na tartaruga, pois somente o calor do acolhimento, do carinho, lava a tartaruga a sair de seu casco.

Complementa essa narração a música "Vida", do Padre Gildásio Mendes, onde aspectos positivos da vida são valorizados, dos mais simples aos mais complexos.

O presente vídeo é para uso didático, interditado todos os demais.

Criação: Professor João Cesar ( http://profjoao.zip.net/ )

18 Janeiro 2009

Marcas do que se foi (com áudio)

"Marcas do que se foi"
Duração: 01min29seg.
Edição: Professor João César - http://profjoao.zip.net/

"Dedico este vídeo musical a todos os que estarão caminhando comigo neste ano que se inicia.
Saibamos dar-nos as mãos, caminhando juntos e corrigindo-nos fraternalmente, como gostaríamos que fizessem conosco!"

Vídeo criando a partir da música "Marcas do que se foi".
Composição da música: Zurana.
Interpretação: Padre Juarez de Castro - http://www.padrejuarez.com.br

As imagens de fundo são de domínio público, acessadas a partir do site Google.

Professor João Cesar criou e editou este vídeo para finalidades pedagógicas. Use na íntegra e com todos os créditos. Uso pessoal.

10 Janeiro 2009

Casa dos mil espelhos - Depende de nós (Mensagem do Prof. João para 2009 - com som)

Casa dos mil espelhos - Depende de nós (Mensagem do Prof. João para 2009 - com som).

Composto por uma fábula (Casa dos mil espelhos) e uma música (Depende de nós), quer mostrar que tudo o que fazemos (de bom ou não) volta para nós, como o reflexo em um espelho.

São dois textos que sempre trabalhei em sala de aula no início de cada ano, e aqui reuni em forma de vídeo. Neste formato, vale para crianças, jovens e adultos.

Duração de 05 minutos - com áudio.


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A CASA DOS MIL ESPELHOS

Tempos atrás, em um distante e pequeno vilarejo, havia um lugar conhecido como a casa dos mil espelhos.

Um pequeno e feliz cãozinho soube desse lugar e decidiu visitá-lo. Lá chegando, saltitou feliz escada acima até a entrada da casa. Olhou através da porta de entrada com suas orelhinhas bem levantadas e a cauda balançando tão rapidamente quanto podia.

Para sua surpresa, deparou com outros mil pequenos e felizes cãezinhos, todos com a cauda balançando tão rapidamente quanto a dele. Abriu um enorme sorriso e foi correspondido com mil enormes sorrisos. Quando saiu da casa, pensou:

– Que lugar maravilhoso! Voltarei sempre, um montão de vezes!

Nesse mesmo vilarejo, outro pequeno cãozinho, que não era tão feliz quanto o primeiro, decidiu visitar a casa. Escalou lentamente as escadas e olhou através da porta. Quando viu mil olhares hostis de cães que o olhavam fixamente, rosnou, mostrou os dentes e ficou horrorizado ao ver mil cães rosnando e mostrando os dentes para ele. Quando saiu, pensou:

– Que lugar horrível, nunca mais volto aqui.

"As mais belas parábolas de todos os tempos", vol.1
Alexandre Rangel (Org.), Ed. Leitura, pág.271.
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01 Janeiro 2009

Dom Bosco - Singela Homenagem ao Grande Educador (com som e linguagem fácil)

Uma singela homenagem ao Grande Educador São João Bosco.

Em linguagem simples, rápidos traços de sua vida, atualizada para nossos dias.

Este vídeo não é institucional, não é oficial.

O texto é de minha autoria;
As fotos são do site oficial http://www.sdb.org/ (com opção de línguas)- também acervo do site Google;
A trilha sonora é da cantora católica Eliana Ribeiro, da Comunidade Canção Nova ( http://www.cancaonova.com/ )

ATENÇÃO: singela homenagem, sem vínculos institucionais, nem a pretensão de substituir materiais mais elaborados. Pensei apenas em uma linguagem mais acessível ao público infanto-juvenil. Grato pela compreensão. Fiquem à vontade para assistir, copiar, multiplicar, divulgar...

Visite blog não oficial (também singela homenagem):
http://domboscoeducador.blogspot.com/

Tudo isso em homenagem ao Grande Educador da Juventude, esse precioso instrumento de Deus para o bem da juventude de todos os tempos!

25 Novembro 2008

Parabola do Lápis

02 Outubro 2008

Apesar de Você

Este vídeo, montado a partir da música de Chico Buarque, mostra a realidade angustiante vivenciada por diversos educadores pelo Brasil afora, especialmente por aqueles que lecionam comigo.

Não é uma crítica a pessoas (as quais devem ser respeitadas sempre, mesmo que não respeitem), mas a determinadas ATITUDES.

Afinal, o pecador (sujeito) não pode confundido com o pecado (sua ação), como afirmou várias vezes o grande Teólogo Santo Agostinho.

As pessoas que oprimem deveriam pensar que para cada ação, há uma reação. Optei por reagir artisticamente, porque ainda acredito no ser humano e nos princípios democráticos.

Abraços cordiais a todos!

Professor João César
São Paulo - SP - Brasil
(primavera de 2008)

01 Janeiro 2008

Eduquemos com o coração de Dom Bosco - Sonho dos 9 anos



O SONHO DOS NOVE ANOS.
(descrição, pelo próprio Dom Bosco):

"Naquela idade tive um sonho, um sonho que me ficou profundamente gravado por toda a vida. No sonho pareceu-me estar perto de casa, numa área bastante espaçosa, onde brincava uma multidão de meninos. Alguns riam, outros jogavam, não poucos blasfemavam. Ao ouvir aquelas blasfêmias, lancei-me imediatamente no meio deles, tentando com socos e palavras fazê-los calar.

Nesse momento apareceu-me um Homem venerando e nobremente vestido. Um manto branco cobria-lhe toda a pessoa e o seu rosto era tão luminoso que eu não o podia fixar. Chamou-me pelo nome e ordenou que me pusesse à frente daqueles meninos, acrescentando estas palavras:


- Não com pancadas, mas com a mansidão e a caridade é que Você deverá ganhar estes seus amigos. Ponha-se logo a instruí-los sobre a feiúra do pecado e a preciosidade da virtude.


Confuso e assustado, respondi que eu era um menino pobre-e-ignorante, incapaz de lhes falar de religião. Naquele instante os meninos, parando de brigar e gritar, juntaram-se ao redor do Personagem que falava.


Quase sem saber o que dizia, perguntei: - Quem é o senhor que me ordena coisas impossíveis? -

Justamente porque parecem impossíveis é que V. deve torná-las possíveis com a obediência e a aquisição da ciência.

- Onde e com que meios posso adquirir a ciência?

- Eu lhe darei a Mestra: sob a sua orientação poderá tornar-se sábio. Mas sem ela tudo se torna estultice.


- Mas quem é o senhor que me fala deste modo?


- Eu são o filho dAquela que sua mãe o ensinou a saudar três vezes ao dia.


- Minha mãe me ensinou a não me juntar com aqueles que não conheço sem sua licença. Qual é o seu nome?


- O meu nome? Pergunte-o à minha Mãe.


Nesse momento vi a seu lado uma Senhora de aspecto majestoso: vestia um manto tão resplandecente que cada ponto parecia uma fulgidíssima estrela. Percebendo-me cada vez mais confuso nas perguntas e respostas, acenou para que me aproximasse. E tomando-me com bondade pela mão, me disse:

- Olhe! Olhando percebi que aqueles meninos haviam fugido e em seu lugar estava uma multidão de cabritos, cães, gatos, ursos e outros animais.


- Eis o seu campo! É aí que Você deverá trabalhar. Torne-se humilde, forte, robusto: e o que agora está vendo acontecer com esses animais, Você o fará por meus filhos!


Tornei então a olhar: em vez de animais ferozes, apareceram mansos cordeirinhos que, saltitando e balindo corriam ao redor daquele Homem e daquela Mulher, como para lhes fazer festa!


Neste ponto, sempre no sonho, desatei a chorar, e pedi à Senhora que me falasse mais claro, porque não sabia o que ela queria dizer.


Então a Senhora me pôs a mão na cabeça e disse:

- A seu tempo tudo compreenderá.

Depois disso, um ruído qualquer me acordou.

Eu fiquei transtornado. Parecia-me ter as mãos doloridas pelos socos dados, e me queimasse o rosto pelos tapas recebidos.

Além disso, aquele Personagem, aquela Mulher, as coisas ditas e ouvidas, me ocuparam de tal forma a mente que, por aquela noite, não pude mais dormir."


(comentário do Reitor Mór dos Salesianos):
"Sabemos que pela manhã Joãozinho racontou o sonho aos seus familiares, despertando a hilaridade e a indiferença dos irmãos e da avó. Somente a Mãe - Margarida - intuiu a visão do futuro.
Por isso vos confio a Maria, para que ajude a cada um de vós a prolongardes, no hoje, o SONHO de Dom Bosco: ver os jovens felizes no tempo e na eternidade.

Esta a tarefa da educação salesiana."
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Obs.: Vale a pena conferir o vídeo na íntegra (cerca de 25 minutos), pois os Salesianos de Dom Bosco têm muito a nos mostrar sobre o carisma de seu fundador.

Vídeo completo:
http://www.sdb.org/PR/Documenti/2008/...

Informações adicionais do vídeo:
http://www.sdb.org/sdb2006/index.asp?...

10 Novembro 2007

O menino e as uvas



A mãe mandou seu filho Nelsinho, de sete anos, comprar dois quilos de uvas no mercado.

O homem pesou as uvas e entregou ao menino.

Após certa demora, o menino voltou satisfeito e entregou as uvas para a mãe.

Ao pegar o pacote, dona Lídia achou que estava muito leve, pesou e já telefonou para o mercado.

- Seu Manoel, o Nelsinho chegou com as uvas. Mas eu pedi dois quilos. Parece que o pacote não tem isso não.

- A senhora pesou as uvas?

- Sim, pesei no mercado , ao lado. Deu menos de dois quilos.

- Pode ser que minha balança não esteja certa. Antes, porém, lhe dou uma sugestão. Não leve a mal: seria bom pesar o menino também, antes e depois de comprar as uvas.

Dona Lídia entendeu a mensagem. Seu Manoel podia ter passado a perna. Mas o menino também poderia ter comido as uvas no caminho.

Quando nossos filhos têm alguma questão com colegas ou professores, sempre achamos que só os outros estão errados.


Clóvis Bovo
No Livro: "Histórias que Ensinam", página 78
Editora Mundo e Missão
www.missaojovem.com.br

08 Janeiro 2007

Guarda Chuva Amarelo



Era uma vez um povoado todo cinzento e triste.

Quando chovia, todo mundo usava guarda-chuvas pretos, mas só e rigorosamente pretos.

O semblante de todos era muito carregado e triste. Debaixo de um guarda-chuva preto só podia ser assim.

Certo dia, em que a chuva desabava mais forte, apareceu, como por encanto, um senhor um tanto excêntrico, que ia desafiando aquele dilúvio,usando um guarda-chuva amarelo. Mas não só: avançava todo sorridente. Isso mesmo, ele sorria.

Alguns dos passantes, como sempre, sob guarda-chuvas negros, olhava para ele escandalizados e murmuravam:

– Que indecência, fica mesmo ridícula essa sua sombrinha amarela. Chuva é coisa séria e um guarda chuva só pode ser preto.

Outros ficaram indignados e se perguntavam alucinados:

– O que lhe deu na telha a esse sujeito de querer enfrentar a chuva com um guarda-chuva amarelo? Exibicionista.

Outros ainda fizeram queixa na polícia:

– É certamente um sujeito orgulhoso, alguém que faz de tudo para aparecer. Ele se parece mesmo divertido.

De fato, não havia nada de divertido naquele país de chuva permanente e de guarda-chuvas pretos.

Só Natacha não conseguia atinar o motivo daquelas críticas e um pensamento a inculcava:

– Quando chove, guarda-chuva é guarda-chuva, preto ou amarelo, o que interessa mesmo é guarde da chuva. E ponto final.

Percebeu, além disso, que aquele senhor mesmo debaixo de um guarda-chuva amarelo se sentia perfeitamente à vontade e feliz, e queria saber muito mais.

Um dia, ao voltar da escola, Natacha se deu conta de que havia esquecido o seu guarda-chuva preto em casa. Deu de ombros e se meteu na chuva sem nada na cabeça, deixando que a água lhe encharcasse o cabelo.

Quis o acaso que, dai a pouco ela topasse com... isso mesmo, com o homem do guarda-chuva amarelo.

– Servida?

Natacha hesitou. Se aceitasse, seria alvo de gozação. Entretanto, acudiu-lhe o pensamento:

– Quando chove, guarda-chuva é guarda-chuva, preto ou amarelo, que importa? Além disso, é melhor ter um guarda-chuva que ensopar-se de água.

Aceitou e viu-se debaixo do guarda-chuva do gentilíssimo senhor.

Então compreendeu porque aquele senhor era tão feliz: debaixo do guarda-chuva amarelo o mal tempo desaparecia. E em um céu azul, recortado de pássaros festivos, brilhava um grande e quente sol. Natacha ficou encantada e o senhor abriu-se para ela em um sorriso:

– Já sei, ficou encantada. Pois então, escute, explico tudo: houve um tempo em que eu também era muito triste neste pais de chuva sem fim, eu também usava um guarda-chuva preto. Certo dia, saindo do escritório, lá esqueci o meu guarda-chuva. Não voltei para apanhá-lo, fui andando para a casa assim, como estava. Eis que, enquanto caminhava, deparei-me com um senhor que me ofereceu entrar sob o seu guarda-chuva amarelo. Como você, hesitei, tinha medo de ser diferente, de tornar-me ridículo. Depois aceitei, porque o que mais temia mesmo era apanhar um resfriado. E me dei conta, como você, de que debaixo do guarda-chuva amarelo o mal tempo simplesmente desaparecia. Aquele senhor me ensinou que as pessoas, debaixo de um guarda-chuva preto, ficavam tristes e sem vontade de se comunicar. O gotejar da chuva e o preto da sombrinha os deixavam amarrados. Quando, de repente não o vi mais, percebi que estava segurando o seu guarda-chuva amarelo. Ele o teria esquecido? Tentei reencontrá-lo, mas não o vi mais. Por isso, guardei o guarda-chuva. Desde então o tempo sempre foi maravilhoso.

– Linda história! Entretanto, não sente remorso de ficar com um guarda-chuva de um outro?

– Absolutamente não! Porque sei muito bem que ele é de todos. Também aquele homem certamente o tinha recebido de alguém.

Quando chegaram na frente da casa de Natacha, despediram-se. Imediatamente, o homem, afastando-se, desapareceu. E a jovem se viu segurando seu guarda-chuva amarelo. Mas, então, aquele senhor: por onde andaria?

Assim, Natacha guardou aquele maravilhoso guarda-chuva amarelo. Também compreendeu que, mais dias, menos dias, o guarda-chuva haveria de mudar de dono. Passaria a novas mãos, a fim de levar serenidade a outras pessoas.

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Fábula recontada pelo Padre Pascual Chávez Villanueva (Reitor-mor dos Salesianos), no vídeo da Estréia de 2007 (mensagem de começo de ano do superior a toda família salesiana). Vídeo completo em: http://www.sdb.org/ (com opções de idiomas).